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São João: Do milho ao milhão perdeu-se a cultura e a tradição

Tradições simples deram lugar a indústria de shows milionários

21/06/2026 23h22 Atualizada há 2 horas atrás
Por: Redação | RV2 Fonte: Assis Marinho
Reprodução | Internet
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COLUNA

Poucas & Boas

 

A edição da coluna desta semana coincide com a semana do dia oficial de São João, uma data muito festejada, apesar de muita gente não ter a mínima ideia de quem se trata (João  Batista), já que as tradicionais festas wm homenagem a ele, com danças de quadrilha, fogueiras e comidas típicas do interior como  milho assado, canjica, pamonha, ficaram no passado.

Para quem não sabe, (São) João Batista e Jesus eram primos, e diz-se na versão religiosa que a origem das fogueiras deve-se a fato Isabel (Santa), mãe de João Batista e  irmã de Maria (Santa), mãe de Jesus, ainda gestante havia dito a Maria que quando João nascesse, acenderia uma grande fogueira no terreiro para avisar, e daí teria nascido a tradição do acendimento de fogueiras no dia de São João.

A essa tradição das fogueiras soma-se a tradição de se consumir alimentos derivados do milho, como a canjica, pamonha, pipoca, bolo de milho, hábito que, a princípio nada tinha a ver com o nascimento de São João e nem com as fogueiras, mas que por coincidir com a colheita que simbolizava fartura, prosperidade e agradecimento, justamente no mesmo mês de junho,  o milho ser tornou o grande protagonista das festas de São João. As receitas são uma herança da miscigenação das culturas indígena e europeia

Outros elementos que hoje estão culturalmente ligados a festa de de São João são a música, representada no ritmo do forró tradicional da sanfona, triângulo e a zabumba e a dança representada pelas quadrilhas, e com o passar do tempo, todos esses elementos acabaram se fundindo, passando a fazer parte de uma mesma cultura tradicional, mas que apesar de ainda estarem atrelados, perderam a força e o valor cultural de uma tradição, dando lugar a uma indústria de shows artísticos espalhados pelo Brasil inteiro, a exemplo do famoso “São João de Petrolina” realizado anualmente no pátio Ana das Carrancas, com a prefeitura desembolsando quase R$ 9 milhões de reais somente em cachês artísticos, alguns chegam a pagar até R$ 1,5 milhão de reais a um único artista.

As festas matutas, o forró pé de serra embalado pelo inseparável trio sanfona, zabumba e triângulo, o milho assando na fogueira, as cadeiras na porta de casa, boas conversas, as crianças soltando traque, chuvinhas e estalos bebés, as danças de quadrilhas e os arraiás, são cenas cada vez mais raras de serem vistas, pra não dizer que não existem mais.

Infelizmente, quando se pensa em São João, só se ouve falar de onde vai ser o grande local dos eventos e quais os artistas que vão se apresentar, mais nada.

Ainda assim, em nome da cultura e da história das origens e, em nome da tradição, saudemos a São João.

Viva São João!

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